Sábado, 30 de Maio de 2020 13:04
49991140414
Internacional guerra de preços

Preços do petróleo desabam neste domingo e tem maior queda diária desde 1991

Arábia Saudita cortou o valor de venda do barril e indicou o início de uma guerra de preços. Na sexta-feira, Rússia se opôs aos amplos cortes de produção sugeridos pela Opep para estabilizar os preços da commodity

09/03/2020 09h03
Por: Marcos Engel Fonte: G1
Campo de petróleo em Vaudoy-en-Brie, na França - Foto: Christian Hartmann/Reuters
Campo de petróleo em Vaudoy-en-Brie, na França - Foto: Christian Hartmann/Reuters

Os preços dos contratos do petróleo recuavam mais 20% na noite deste domingo (8), na maior queda diária desde 1991, depois que a Arábia Saudita cortou o valor de venda do barril e indicou o início de uma guerra de preços.

A decisão da Arábia Saudita vem na esteira do fracasso das negociações entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e a Rússia sobre o tamanho da produção de petróleo, num momento em que a economia global desacelera com o avanço do coronavírus.

Por volta das 21h (horário de Brasília), o petróleo do tipo Brent cedia US$ 9,57, ou 21,14%, cotado a US$ 35,70 o barril. Já o WTI recuava US$ 8,75, ou 21,2%, a US$ 32,53 o barril.

Na abertura dos negócios no mercado asiático, o preço do petróleo do tipo Brent chegou a recuar 31%, no maior tombo desde a Guerra do Golfo (1990 e 1991).

Segundo a Reuters, a Arábia Saudita planeja aumentar a produção de petróleo acima de 10 milhões de barris por dia (bpd) em abril, após o atual acordo para restringir a produção entre a Opep e a Rússia - conhecida como OPEP + - expirar no fim de março.

A Arábia Saudita também reduziu o preço oficial de venda do barril para abril entre US$ 6 e US$ 8 dólar o barril.

"O avanço do coronavírus trouxe um pânico para o mercado de petróleo", diz o sócio-fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adirano Pires. "O preço do petróleo nesse patamar deve provocar um estrago nas economias dos países. O tamanho vai depender por quanto tempo os preços ficarão nesse patamar."

Maior queda em 11 anos

Na sexta-feira (6), o petróleo Brent registrou a maior queda diária em mais de 11 anos diante do fracasso nas negociações entre a Opep e a Rússia.

A Rússia se opôs ao corte de produção sugeridos pela Opep para estabilizar os preços da commodity em meio à epidemia de coronavírus, que desacelera a economia global e afeta a demanda por energia

Como resposta ao governo da Rússia, a Opep removeu todos os seus limites de bombeamento. Até sexta-feira, os contratos de petróleo acumulavam queda de mais de 30% neste ano.

A ideia da Opep, apoiada pela Arábia Saudita, consistia em diminuir a extração diária da commodity em 1,5 milhão de barris até o fim do ano. A organização propôs inclusive que seus sócios de fora do cartel tivessem apenas um terço do corte.

Impactos no Brasil

Na avaliação de Pires, a queda brusca dos preços do petróleo pode levar o Brasil para dois caminhos: a Petobras pode reduzir o preço da gasolina e do diesel, com o risco de inviabilizar o etanol, ou o governo pode a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) para preservar a geração de receita da estatal.

Desde a greve dos caminhoneiros, a Cide está zerada para o diesel. Na gasolina, a cobrança da contribuição é de 10 centavos por litro. "A grande prejudicada com essa queda no preço é a Petrobras. Vamos ver como o governo vai agir", afirmou Pires.

Neste ano, a queda do preço do petróleo tem levado a Petrobras a reduzir os preços dos combustíveis nas refinarias. A última redução ocorreu no fim de fevereiro. O preço do diesel foi reduzido em 5% e os da gasolina em 4%

G1

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias