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Campo minado para Trump

A um ano das eleições, presidente tem pela frente desgastes que virão do processo de impeachment e incertezas sobre quem será seu oponente.

04/11/2019 15h11
Por:
Fonte: G1
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, em imagem de arquivo — Foto: Reuters/Al Drago
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, em imagem de arquivo — Foto: Reuters/Al Drago

Daqui a exatamente um ano, a maioria dos votos estará contada, e os americanos saberão se Donald Trump foi reeleito ou se será ex-presidente dos EUA, como assegurou neste domingo pelas redes sociais Joe Biden, um dos seus principais adversários no campo democrata. Até lá, a Câmara dos Representantes deverá votar pelo seu impeachment, mas o Senado, de maioria republicana, provavelmente o manterá no cargo.

A dúvida é o quanto o processo o desgastará antes do voto. Até nisso o país está polarizado. O presidente repete que a insistência dos democratas em removê-lo da Casa Branca o beneficiará. É a tese de que, para parte dos eleitores, ele sairá como vítima de uma caça às bruxas, impulsionando os republicanos.

Mas a pesquisa NBC/Wall Street Journal, divulgada no fim de semana, reflete danos à imagem do presidente. Agora, 49% dos americanos querem que o Congresso o destitua do cargo, seis pontos a mais em relação ao último mês. Em contrapartida, 46% se dizem contrários à sua remoção.

Entre os eleitores republicanos, há coesão em torno do presidente. A situação econômica do país, por enquanto, vai bem. E os democratas enfrentam a falta de uma liderança clara e o eterno dilema existencial, com disputa entre candidatos moderados e à esquerda do partido.

Assim como em 2016, hoje Trump perderia no voto popular. Nas pesquisas nacionais, seu índice de aprovação está abaixo de 40%, cerca de 9 pontos a menos do que Joe Biden.

Na prática, o voto popular tem pouco efeito na corrida eleitoral americana, que faz os candidatos reféns do Colégio Eleitoral e dos chamados estados decisivos. Foi graças às vitórias em Michigan, Pensilvânia, Wisconsin, Flórida, Arizona e Carolina do Norte, que o presidente bateu Hillary Clinton e conquistou a Casa Branca.

Pesquisa do New York Times/Siena College, divulgada nesta segunda-feira, indica que Trump ainda permanece competitivo nesses seis estados, em relação aos democratas Joe Biden, Bernie Sanders e Elizabeth Warren.

O processo do impeachment que corre na Câmara dos Representantes entra na segunda fase, aprovada na semana passada, com depoimentos abertos ao público. É bem provável que testemunhas que deram depoimentos cruciais para incriminar o presidente na sua suposta tentativa de chantagear a Ucrânia para prejudicar Biden sejam novamente convocadas, desta vez em audiências públicas.

O depoimento de John Bolton, que em setembro deixou o cargo de conselheiro de Segurança Nacional, é um dos que criam mais expectativas, embora ele tenha avisado que só depõe se intimado.

Trump tem um campo minado pela frente, bem diferente em relação às eleições de 2016. Como terceiro presidente americano a enfrentar um processo de impeachment, conduzirá uma campanha conturbada por revelações que saem do Capitólio e ainda o alerta, cada vez mais frequente, de recessão econômica. Por outro lado, no campo democrata, o perfil de candidato que sairá das primárias democratas torna o panorama de 2020 ainda mais incerto.

 

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