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AGRONEGÓCIO

Bem-estar dos animais é realidade no agronegócio catarinense

Preocupação com a qualidade de vida nas criações garante produção de alto padrão em Santa Catarina

16/08/2019 17h35
Por: Fronteira Online
Fonte: G1
Unsplash
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 A tendência de atenção ao bem-estar animal vem progressivamente tomando conta dos debates do agronegócio catarinense. A demanda veio do consumidor, que passou a exigir cuidados específicos durante a produção para minimizar o desgaste dos animais, alinhando o tema à macrotendências de mercado como consolidação do consumo consciente, bem-estar, saudabilidade e retorno às origens.

Cada vez mais os consumidores querem saber onde os alimentos foram produzidos, se são seguros para a sua saúde, se foram produzidos de forma ambientalmente correta, se os trabalhadores foram adequadamente remunerados e se os animais foram bem cuidados — afirma o médico veterinário Leocir Macagnam.

As mudanças na cadeia produtivas são significativas. Há poucos anos, entre outros exemplos, as instalações costumavam ter pé direito baixo, o que piorava a qualidade do ar e o estresse térmico nas criações. Outra preocupação que se tornou exigência em granjas é o acompanhamento próximo, por profissionais qualificados, da nutrição dos animais.

— Boas condições de alojamento, nutrição e manejo adequado proporcionam aos animais a possibilidade deles desfrutarem de uma boa vida produtiva, sem sofrimentos físicos ou mentais — complementa Leocir.

Os temas foram elaborados em recomendações e legislações que regulamentam a questão no mercado internacional. Em 2000, a Organização Mundial de Saúde Animal colocou o Bem Estar Animal como um movimento global, definindo como guia as cinco “liberdades” dos animais:

1. Estar livre de fome e sede

Os animais devem ter acesso à água e alimento adequados para manter sua saúde e vigor.

2. Estar livre de desconforto

O ambiente em que eles vivem deve ser adequado a cada espécie, com condições de abrigo e descanso adequados.

3. Estar livre de dor, doença e ferimentos

Os responsáveis pela criação devem garantir prevenção, rápido diagnóstico e tratamento adequado aos animais.

4. Ter liberdade para expressar os comportamentos naturais da espécie

Os animais devem ter a liberdade para se comportar naturalmente, o que exige espaço suficiente, instalações adequadas e a companhia da sua própria espécie.

5. Estar livre de medo e de sofrimento

Não é só o sofrimento físico que precisa ser evitado. Os animais também não devem ser submetidos a condições que os levem ao sofrimento mental, para que não fiquem assustados ou estressados.

Mudanças na prática dos catarinenses

Para o veterinário Leocir Macagnam, que atua há mais de 30 anos na área de suinocultura, as mudanças estão historicamente acontecendo em Santa Catarina e podem ser apontadas como uma construção de bases, principalmente para uma criação de suínos sustentável.

—Essas bases já estão presentes, fruto da atuação conjunta de Institutos de Pesquisa como a Embrapa, Universidades, Poder Público e Setor Produtivo. A adequação dos sistemas de gestação prevendo o alojamento das matrizes em baias coletivas é um importante marco destas mudanças, as maiores empresas do setor já se comprometeram com prazos para adotar este sistema, antes mesmo de existir legislação regulamentando esta questão.

Atualmente a União Europeia tem uma ampla e detalhada legislação em relação a este tema, e países como o Canadá, Austrália e Estados Unidos já têm importantes iniciativas neste sentido.

— No Brasil está em consulta pública uma minuta de Instrução Normativa de “Bem estar na Produção de Suínos”, que deve padronizar as boas práticas do setor e normatizar a sua aplicação na rotina. A publicação deste documento nos colocará na vanguarda dos países com legislação pertinente ao tema e poderá vir a ser uma importante ferramenta de conquista de novos mercados, abrindo oportunidades para ampliação do segmento no Brasil — enfatiza o especialista.

Desafios impostos pelo mercado competitivo

Apesar da pressão dos consumidores e do interesse dos envolvidos com o agronegócio catarinense em desenvolver e qualificar a produção, alguns desafios ainda empatam a evolução do tema.

Segundo o veterinário, alguns incentivos precisam ser pensados para padronizar essa conquista dos animais, pensando principalmente nos pequenos produtores, que representam boa fatia da produção catarinense.

— A legislação precisa atender às demandas internas e prover o setor produtivo com crédito a taxas adequadas ao equilíbrio financeiro, para que seja possível fazer os investimentos nas eventuais adequações que sejam necessárias — aponta.

O Brasil, enquanto signatário da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), vem adotando medidas que atendem as orientações do organismo. Alguns órgãos como o Icasa, em Santa Catarina, protagonizam nesse papel de difundir a importância do tema.

 

 

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