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PRÉDIOS ILEGAIS

Milícia volta a oferecer apartamentos dois meses após a tragédia da Muzema, afirma MP

Imagens feitas nesta quarta-feira (12) mostram operários trabalhando no Anil e na Tijuquinha, na Zona Oeste do Rio.

12/06/2019 15h57
Por: Fronteira Online
Fonte: G1
Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo

Dois meses depois da tragédia da Muzema, a milícia que atua na Zona Oeste do Rio continua a oferecer apartamentos em prédios ilegais na região.

O RJ1 flagrou nesta quarta-feira (12) operários erguendo construções nas comunidades do Anil e da Tijuquinha e teve acesso a anúncios na internet de unidades.

O Ministério Público afirma que os edifícios são irregulares e explorados por grupos paramilitares.

No dia 12 de abril, duas construções na localidade da Muzema vieram abaixo, matando 24 pessoas. Um corretor está preso, e dois homens estão foragidos.

“Começou em Rio das Pedras e foi se expandindo para a Muzema”, afirma a promotora Simone Sibilio, do MP. “Há uma relação muito próxima entre eles, e também com o grupo do Anil. Há indícios de que a Tijuquinha também [faz parte]”, destaca.

Um morador afirmou ao RJ1 que as atividades ilegais não tardaram a voltar depois do desastre.

“Só parou a primeira semana, depois voltou tudo ao normal. Estão sendo erguido os prédios novos, na fundação ainda”, contou.

A testemunha explica que a venda de unidades passa por associações de moradores. “Dão um papel dizendo que você é o proprietário, que na verdade não vale de nada, e nessa negociação a associação de moradores leva 10%”, detalha.

Condomínio irregular com água

Um dos canteiros ilegais está a todo o vapor na Rua Araticum, no Anil. “Prédios invadindo calçada, edifício de 10 andares onde só pode de três, rio tampado, um monte de coisa irregular lá”, afirma o morador.

A prefeitura diz que o loteamento no número 809 não é clandestino, mas as construções são irregulares e devem ser demolidas.

Em um vídeo gravado por um morador e anexado a uma denúncia feita à polícia em dezembro, um carro com logotipo da Cedae estava parado enquanto homens com uniformes da companhia cavavam um buraco.

De acordo com a denúncia, a ligação clandestina era para abastecer o prédio 809 da Rua Araticum.

Na época, a Cedae informou que a numeração não constava do sistema de clientes da companhia e que iria checar se os homens que aparecem na imagem eram mesmo funcionários.

Corretagem sem banco

Mesmo com as construções proibidas pela prefeitura, anúncios são fartos na internet. Apartamentos são oferecidos com facilidade de financiamento, mas fora do sistema bancário.

Um corretor ouvido pelo RJ1 diz que nenhum apartamento tem o Registro Geral de Imóveis (RGI), o que é obrigatório em qualquer transação de compra e venda de apartamentos e casas. “RGI ali, cara, é difícil”, afirma.

“Eles levam 10% na venda de todos os imóveis, e existe uma taxa semanal que é paga pelos construtores para trabalhar em paz”, emenda. “Muitos deles são milicianos, que usam o dinheiro da milícia para poder fazer esse tipo de investimento”, completa.

“Tem lugares que eles já alugam o apartamento com água e luz, com ligações irregulares”, informa o corretor.

O MP pede penas severas para essa atividade. “Eles têm que ser presos, retirados de circulação. Se a busca de um lucro acima da média serve de estímulo para esses criminosos, que a prisão e uma pena acima da média sirvam de desestímulo”, afirma Simone Sibilio.

A tragédia da Muzema

Nesta quarta (12) completam dois meses dos desabamentos que mataram 24 pessoas na Muzema. As últimas vítimas que ainda estavam internadas, Paloma Paes Leme e o filho, Rafael, tiveram alta sexta-feira (7). O marido e outros três filhos morreram no desabamento.

A polícia ainda procura por José Bezerra de Lima, o Zé do Rolo, apontado como responsável pelas construções, e Renato Siqueira Ribeiro, suspeito de ser o corretor que vendeu os apartamentos.

Já está preso Rafael Gomes da Costa, que também seria corretor dos imóveis.

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